Gosto da fase "outonal", sinto-me "grávido" de ternura. Sou clima temperado (apesar do calor infernal dessa cidade), folhagem das árvores pintadas em cambiantes tonalidades, o canto de despedida das cigarras, talvez já saudosas do verão, o ar de recolhimento no perscrutar da natureza...Sou sinfonia entusiasmada, mas de suaves movimentos, de estação madura, com sensação de relaxamento e de paz interior indizível. E mesmo que o vento mais possante carregue as folhas das árvores, essa suave melancolia descortinará a outra face da poesia: O vaivém do bailado das folhas desprendidas à força, que finalmente se acomodarão sobre o solo úmido onde serão transformadas no húmus, que há de dar novo vigor à terra, onde novas vidas brotarão quando voltar a nova primavera...
[Sexta-feira, Abril 13, 2007]